domingo, 10 de julho de 2011

Bwana bwana

Ontem minha mãe deu aquele sorriso besta e soltou: vamos ver umas fotos antigas? Abrimos uns envelopes e rolamos de rir durante uma hora e meia com nossas memórias impressas em papel. Antes, no jantar, eu tinha soltado um “mês que vem faz 10 anos que fui pra Uberlândia”, que ficou no ar, e provavelmente as fotografias antigas foram uma resposta do inconsciente da minha mãe.

Fazendo o tradicional trajeto (duas quadras) - casa de meus pais (que um dia foi minha casa) até a praça do Estadual (que um dia foi o meu quintal) – e lembrando o quanto aquele caminho recheia aquelas fotos, me perguntei umas 15 vezes (não consegui responder nenhuma)  o quanto disso tudo ainda me pertence? E essa pergunta foi reverberando e ficando grandona durante toda a noite (e até agora martela na minha cabeça). 

Às vezes, porque ao mesmo tempo em que não me reconheço mais em rostos conhecidos sorrindo ao som do sertanejo universitário, as pedras da praça guardam em sua memória noites regadas a bebidas de origem duvidosa, em que éramos mandados embora pra casa (e aqui eu citaria no mínimo umas 5 pessoas que sempre chegavam e mandavam a gente vazar) após as feiras de artesanato, aniversários da cidade, shows regionais, carnavais, juninões, semanas insanas e feriados. E o tanto que toda essa bobagem formou meu caráter e está impregnada em mim. 

Ir em Tupaciguara começa a ser um ato de me aproximar de um eu que existiu, e ao mesmo tempo, me afastar de um eu que poderia ter existido. 

P.S.1: vendo as fotos descobri que todas as minhas roupas da infância eram figurinos de palhaço. Mais uma vez o inconsciente da minha mãe trabalhando a meu favor.

P.S.2: a música que eu mais gostava aos 5 anos de idade é essa aí embaixo. Ficava no lado B de uma K7 de músicas do Trem da Alegria. Sobrou espaço na fita e o moço da Musical gravou a música que estava bombando nas rádios.



2 cotovelos falantes:

Paulinha Tavares disse...

ó. tenho saudade desse emilliano menos "e daí"

Emilliano Freitas disse...

o emilliano "e daí" é só tipo. ahahah