Passeando pela biblioteca da UFU avistei o Diálogos no Palco, uma edição de 1999.
Li este livro há muito tempo (uns sete anos talvez) quando começava a enveredar pelo teatro, e os nomes dos entrevistados ainda não faziam muito sentido pra mim.
O livro olhou pra mim, olhei pra ele, e tive que levá-lo pra casa.
Terminei a parte dos diretores brasileiros em um tempo record.
Os depoimentos mais hilários lógico que são os de Antunes Filho e Gerald Thomas.
Terminei a parte dos diretores brasileiros em um tempo record.
Os depoimentos mais hilários lógico que são os de Antunes Filho e Gerald Thomas.
Aí passam os anos e a gente vê o quanto há contradição no papinho deles (ou como as pessoas tem os conceitos revistos). Antunes falando que não surgem bons autores porque não há bons atores para encenar os textos, e Gerald se perguntando "Por que eu haveria de sair do teatro?" e justificando que só aceitava os convites para dirigir óperas na Europa porque não tinha como resistir a um convite de 125 mil dólares.
Mas deixando os monstros S.A.grados de lado, esse post só vale a pena por uma coisinha besta que o Aderbal Freire-Filho fala sobre o trabalho do diretor. Quando fiz minha primeira direção, a angústia em definir o trabalho que eu estava realizando, fazia com que eu sempre lembrasse que tinha lido isso em algum lugar mas não sabia onde:
O que ele (o diretor) faz é dificílimo de identificar. É a partir do que uma pessoa faz, é a partir do resultado do seu trabalho que você sabe dizer o que faz, não? Você vê a escultura e diz que o escultor tirou aquilo da pedra. Você sabe definir o que cada um faz, e para o diretor de teatro isso é muito difícil. Eu sempre pensei na angústia da minha mãe para explicar o que eu sou. Uma das minhas culpas terríveis como filho é essa, eu não dei à minha mãe uma profissão com que ela possa dizer à vizinha o que eu sou. Deve ser terrível para ela, a vizinha pergunta, e ela diz: "Sei lá", o que ela vai dizer? "Ele é diretor de teatro." O que ele faz? ele é o gerente da empresa que tem o teatro? "Não, ele faz a peça." Escreve? "Não, não escreve. Ele ensina o ator." Aí a vizinha diz: "A Marília Pêra trabalhou com ele." E a mãe diz que ele ensinou a Marília Pêra a fazer teatro. Só mãe! Toda mãe é coruja, só mãe é capaz de dizer ao vizinho que o Aderbal ensinou a Marília Pêra a fazer teatro. É muito difícil você localizar, porque você localiza o autor no texto que você está ouvindo, nas palavras, conhecendo os personagens que ele criou: os atores, mais do que todos, pela presença; os cenógrafos, pelo cenário. (...) É o comportamento dos atores, a unidade do elenco, a escritura da peça, enfim, é por tudo isso que nascem as dificuldades da minha mãe em saber como me definir.
Me resta agora a segunda parte do livro que foi chamada no exterior de In Contact with the Gods. Tomara que a voracidade da primeira parte se repita.


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